10. TECNOLOGIA E MEIO AMBIENTE 31.10.12

1. O FUTURO CHEGOU
2. LINGERIE ECOLGICA

1. O FUTURO CHEGOU
Conveno em Londres rene objetos imaginados pelos roteiristas de "Jornada nas Estrelas" que viraram realidade
Juliana Tiraboschi

Um aparelho de teletransporte, uma injeo indolor, um sensor que, passado sobre o corpo, diagnostica vrias doenas. Equipamentos capazes de realizar essas proezas j esto por a, mas continuam parecendo obra de fico. H mais de quatro dcadas, eram inimaginveis, exceto para os criadores e roteiristas do seriado de tev Jornada nas Estrelas (Star Trek). O programa original, exibido entre 1966 e 1969, contava as aventuras pelo espao do Capito James T. Kirk e sua tripulao dentro da nave Enterprise, no ainda longnquo sculo XXIII. 

TELETRANSPORTE - Em Jornada nas Estrelas, o transportador movia pessoas de um local para outro em segundos. Na vida real, uma equipe de cientistas europeus teletransportou partculas a uma distncia de 143 km usando lasers 

A saga intergalctica continua to forte no imaginrio coletivo que, mesmo tendo a srie original acabado h mais de 40 anos, continua gerando eventos temticos. O mais recente foi o Destination Star Trek, uma conveno encerrada no domingo 21 em Londres. Nela, atores conversaram com os fs e foram exibidos figurinos, peas dos cenrios e objetos futuristas para a poca. Um dos motivos para o sucesso duradouro  que as tramas exibidas na telinha eram convincentes, mesmo sendo fantasiosas. A srie nunca subestimou seus espectadores. No apenas a cincia mostrada era explicada, como a histria tinha uma continuidade, visual e conceitual, diz Larry Nemecek, ator, autor de livros e consultor de documentrios sobre a srie. Tambm trabalhou como roteirista de um dos episdios de Jornada nas Estrelas  Voyager, a quarta encarnao da srie original.
 
Na minha opinio, a srie respeitava a cincia real. Astronomia, planetas, estrelas e a extenso da nossa galxia foram tratados de forma nica, diz David Batchelor, f da franquia e tecnlogo aeroespacial no Centro de Voos Espaciais Goddard, da Nasa. Ela inspirou cientistas e engenheiros que eu conheo hoje a seguir essa carreira. Graas  srie, outros estudantes foram influenciados a entrar para reas como a medicina ou a cincia da computao, afirma Batchelor.

Ao respeitar conceitos cientficos, o criador da srie, Gene Roddenberry, e seus roteiristas acabaram prevendo muitas tecnologias que s iriam se tornar reais anos ou dcadas mais tarde.  difcil encontrar um dispositivo ou tecnologia imaginados em Jornada nas Estrelas que no tenha sido reproduzido pela cincia ou que pesquisadores no tenham pelo menos tentado imitar, diz Nemecek. 

O comunicador nada mais  do que o nosso celular. O PADD, dispositivo sensvel ao toque, pode ser comparado aos tablets atuais. Os phasers, armas que emitiam feixes de energia, lembram os tasers, que imobilizam o alvo ao disparar uma descarga eltrica. Tomografia computadorizada, scanners e ressonncia magntica so parentes dos equipamentos mdicos  disposio de Kirk, Spock e demais tripulantes. 

At coisas mais banais hoje, como anlises de banco de dados, pareciam futursticas na srie. No episdio Semente do Espao, um criminoso  identificado por registros em um computador. Essas cenas certamente inspiraram departamentos policiais a pressionar por equipamentos mais modernos, que fazem isso hoje, opina David Batchelor. Roddenberry foi policial antes de trabalhar na tev, ento talvez essa fosse uma de suas fantasias, diz. 

Tecnologias mais avanadas, como dispositivos de invisibilidade, teletransporte e dobras espaciais  meio de propulso de naves mais rpido do que a luz , encontram um paralelo com a cincia real, ainda que em estgios preliminares de pesquisa. A srie tambm deu suas viajadas e cometeu equvocos. Em O Inimigo Interior, o Capito Kirk  duplicado ao passar pela mquina de teletransporte, dividindo-se entre um gmeo bom e o outro ruim. Isso no  nada realista, afirma Batchelor.

Mas, no geral, os roteiristas conseguiram no s inventar criaturas cheias de personalidade, com suas fraquezas e pontos fortes, como tambm imaginar um universo convincente. Gene Roddenberry queria que os espectadores acreditassem em seus personagens e naquele cenrio futurstico, diz Nemecek. Acabou indo alm. Passadas mais de quatro dcadas, a srie continua inspirando cientistas no mundo todo, pois a jornada tem de continuar.


2. LINGERIE ECOLGICA
Feitas com algodo orgnico, tecidos reciclados e fibras sustentveis, novas colees de roupa ntima mantm a sensualidade sem agredir o planeta
Larissa Veloso

ECOCHARME - A Valisere ( direita) usa fibras extradas de rvores austracas para moldar calcinhas e sutis que no agridem o planeta. Feito  mo a marca britnica Luva Huva reaproveita materiais e usa at tecidos feitos a partir de soja para criar suas peas, que so produzidas artesanalmente
 
Agora as mulheres podem sentir na pele que esto colaborando com o planeta. Cada vez mais empresas e estilistas lanam peas de lingerie ecologicamente corretas. Escolha de materiais, processo de fabricao e combate a desperdcios so os elementos dessa frmula que une moda e sustentabilidade.
 
Alm do j tradicional algodo orgnico, empresas brasileiras, americanas e europeias comeam a testar outros materiais para fabricao de calcinhas e sutis. O mais avanado deles  o Lenzing MicroModal, que comea a ser usado no Brasil pela Hope e Valisere. As fibras desse tecido so feitas a partir da faia, uma rvore nativa da Europa, principalmente da regio da ustria. Em vez de utilizar o cloro para embranquecer o material, foi desenvolvido um sistema que utiliza oznio e oxignio. Alm disso, a floresta  gerenciada. S as rvores mais novas so processadas e repostas. As mais antigas permanecem intocadas, afirma a gerente de marketing da Lenzing Fibers para a Amrica Latina, Giselle Arajo. 

Outras matrias-primas alternativas, como o bambu, a soja e at mesmo o cnhamo  planta da mesma famlia da maconha , tambm tm sido usadas, principalmente por ter um crescimento mais rpido, o que proporciona uma economia de solo e gua. O bambu chega a atingir sua altura mxima em apenas trs meses, enquanto o cnhamo rende trs vezes mais fibras do que o algodo convencional.

Mas no  s no material que est a diferena entre a lingerie amiga do planeta e as peas tradicionais. O que a empresa faz com os resduos a serem descartados e como lida com seus fornecedores tambm  parte da soluo. Nos EUA, a marca Hanky Panky doa 100% dos seus retalhos a artesos e s usa embalagens feitas com papel reciclado. J a francesa Peau Ethique foca na tica e s negocia com agricultores que se comprometem a no usar trabalho infantil e manter as horas de trabalho dentro de um teto exigido por lei. 

O esforo tem sido aprovado pelas consumidoras. J colocamos nas lojas uma nova coleo com esse conceito sustentvel. Tem sido um sucesso, diz a gerente de marketing da Hope, Vernica Wolff. Isso se deve tambm ao design das peas, que, como mostram as fotos nesta pgina, no foi deixado de lado. Assim, as peas tm tudo para continuar gerando um efeito colateral das lingeries: despertar desejos.

